Protecionismo às avessas

O governo americano privilegia o software americano, assim como o armamento de lá, em suas compras. Isso não é alguma coisa que os outros países não façam, nem é considerado ilegal, embora sujeito a certas regras. O que eu vejo nas compras do governo brasileiro é que não são dadas sequer condições de igualdade para que as empresas nacionais possam competir. São fixados critérios e restrições técnicas que acabam sempre privilegiando as empresas multinacionais. O Banco Central, por exemplo, fez uma licitação para a compra de um sistema de gestão, um ERP, e uma das exigências que colocou no edital é que esse sistema tem de rodar em cima de DB2, da IBM. Por quê? Na verdade, podia ser DB2, assim como podia ser Oracle ou Microsoft. Mas não: tem de ser DB2. Isso acaba privilegiando a SAP, a JD Edwards… E uma coisa parecida está acontecendo agora com o BNDES, que está em um processo de escolha no qual a gente está começando a perceber que há alguns indicativos… não sei se intencionais, ou se por algum cara de TI lá de dentro que quer alguma coisa que lhe agrade. Não é nem questão de privilegiar a indústria nacional, como Datasul, Microsiga ou Logocenter. A gente quer é concorrer em igualdade. Pergunta a essas empresas quantos clientes de governo elas têm. A resposta é: nenhum.

(da Amanhã no. 202)

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